domingo, 7 de dezembro de 2014

Agora no Wix


Consumo & Sustentabilidade mudou para o Wix.

Encontre-nos no www.blog-ces.wix.com/consumosustentavel


terça-feira, 26 de junho de 2012

Idéia luminosa

Tinha de compartilhar. A idéia é muito boa!

GreenUp Blog: Turning waste plastic bottles into solar bulbs: Providing interior lighting for the poor, one litre at a time.  by Lidija Grozdani ć     Photo courtesy of A Liter of Light.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Ideia bacana para multiplicar

Uma amiga minha vai fazer o aniversário de 1 aninho do seu filhinho e teve uma ideia muito bacana: convidou os amigos e parentes para a festa e, aproveitando o ensejo, para trazerem roupas que não usam mais e que gostariam de doar. Ela vai aproveitar o evento para fazer a arrecadação e encaminhar para pessoas que precisam.
Achei o máximo: afinal, não se trata só de um gesto nobre, de solidariedade, mas principalmente, uma ação educativa tanto para os pimpolhos dela como dos amiguinhos - e aos pais dos amiguinhos...
Já estou aderindo e na próxima festinha aqui em casa vamos fazer a nossa caixa de coleta.



terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Pesquisa sobre degradação de sacolas plásticas

Pesquisa do IPT sobre a degradação de materiais das sacolas de supermercado . Vejam:
http://agencia.fapesp.br/15146
Esta eu vou acompanhar...

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Ainda sobre as sacolas plásticas: os tons de cinza na bandeira verde

Interessante toda esta polêmica em razão das sacolas plásticas.
Primeiro porque não imaginava que ia dar tanta discussão, o que, no final, acabou sendo uma coisa boa: é fundamental que as pessoas se envolvam mesmo no debate, que se interessem e expressem o que pensam. Segundo porque, no meio de tanta conversa, foram surgindo questões e questionamentos que estão no centro do problema ambiental, como a própria "ecologização" da sociedade e como esse processo está se desenvolvendo. E, terceiro, porque é uma oportunidade boa para que a sociedade possa estabelecer uma crítica sobre isso, usar a contra-ideologia para fazer o debate evoluir e aprimorar futuros projetos para o tal "mundo sustentável".
Para ir um pouco além, é preciso voltar atrás para ver que a etapa de retirar a distribuição gratuita das sacolas plásticas em São Paulo está baseada um acordo entre o Estado de São Paulo e a Associação Paulista de Supermercados (Apas). Procurei na internet o texto do termo de acordo que foi assinado, mas não o encontrei. Portanto, se alguém o tiver, por favor, encaminhe para mim.
E o problema começa aqui. Como é que as pessoas podem compreender com clareza e certeza, algo que não tem total conhecimento? Se se trata de um ato que envolve o interesse de todos, por que só alguns podem ter acesso a ele? Mesmo que a maioria não esteja interessada em saber de todos os detalhes da negociação, há aqueles que querem saber, mas que terminam recebendo as informações "mastigadas", interpretadas por terceiros. Talvez a maioria das pessoas não esteja se importando com isso, mas certamente para alguns - e eu me incluo nesta lista -, o simples fato de não haver fácil acesso é algo que incomoda, que ressabia.
De qualquer modo, prosseguindo, pelo que tenho lido e visto nos canais de comunicação, este ato é um acordo que não tem força vinculante, ou seja, não obriga ninguém a fazer nada e funciona como uma espécie de forte "recomendação" para que não sejam distribuidas gratuitamente. Não é lei, no sentido estrito, ou seja, aquela obrigação que nasce de um processo legislativo; talvez seja até obrigatória, juridicamente, aos associados da Apas, mas, à falta de acesso ao texto do acordo, não é possível fazer uma afirmação categórica sobre o assunto.
Por outro lado, outro aspecto que me deixa um pouco duvidosa sobre esse acordo é o fato de que os supermercados não acharam nem um pouco ruim a medida e tem se valido disso para afirmar que estão contribuindo para a salvação do planeta. É claro que o fato de coincidir com os interesses dos supermercados não tira, por si só, o mérito da iniciativa, mas fico aqui pensando se a situação fosse diferente, por exemplo, se a adesão ocorreria sem protesto se fosse o caso de impor algum tributo verde ou algo que implicasse algum tipo de oneração. Ou seja, é fácil ser ecologicamente correto quando isso traz só benefícios.
Além disso, tem sido divulgado por aí que um alto percentual de consumidores concorda com a medida. Mas, em que termos os consumidores estão concordando? Com os benefícios ao meio ambiente? Com a eliminação da distribuição gratuita? Com o fato de que vão ter de comprar sacos plásticos para dispor seu lixo? Possivelmente a resposta não seguirá em um único sentido, mas isso acontece justamente porque o problema não é único, pontual. A solução de um problema, por estar dentro de uma realidade com diversos aspectos direta ou indiretamente conectados, implica o surgimento de outros, portanto, não se trata de simplesmente eliminar um único problema, mas de estar preparado também para os outros que advirão daquela solução.
Insisto, mais uma vez, na questão do lixo. Uma discussão sobre sacolas plásticas sem tratar do problema de como acondicionar o lixo nas casas é uma discussão parcial e, portanto, altamente sujeita a resultados equivocados. Que alternativas (viáveis, frise-se) estão sendo pensadas para a substituição das sacolas plásticas como saco de lixo? E, se o lixo se torna um problema de todos, pelo menos quando sai porta afora de nossas casas, onde está o Estado para oferecer soluções? E onde entramos nessa história para fazer o Estado cumprir o dever que ele assumiu e é pago para executar, que é promover a limpeza pública?
Não se trata, portanto, de ser contra. Mas de pensar criticamente, sem simplismos, e aceitar que problemas complexos exigem soluções igualmente complexas. Em matéria de meio ambiente, se olharmos bem de perto, há muito menos verde do que cinza: um cinza que se compõe da mistura de pequenos pontos pretos e brancos.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Açúcar, esse doce mal...

Notícia interessante a respeito das doenças relacionadas ao açúcar e a necessidade de sua regulação: http://agencia.fapesp.br/15121.
Vale conferir.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sacolas plásticas: a polêmica tem que continuar!

Por conta do último post, tenho recebido vários comentários sobre o assunto das sacolas plásticas, o que me fez pensar em continuar comentando o assunto mais um pouco. Sinal de que, felizmente, a ironia sobre a sobra de conversa e a falta de assunto tem sentido: há ainda muito o que debater!
Começo fazendo uma reflexão sobre as soluções para um mundo com menos sacolas plásticas. Não há dúvida de que a natureza - e nós, que nela estamos - agradeceríamos muito se fosse possível nos livrar definitivamente, ou que, ao menos, dependessemos menos delas. Os prejuízos que este material tem no meio ambiente todos estão cansados de saber e de ver por aí.
Não discordo, portanto, do fato de que há um uso inadequado ou excessivo das mesmas e que isso precisa mudar. Mas, a pergunta é: como mudar?
Tenho recebido muitos comentários com referência à substituição das tradicionais sacolas plásticas por sacolas retornáveis, carrinhos de feira, de sacos de papel feitos com dobradura de jornal ou uso de um único saco de lixo onde pudessem ser concentrados todos os resíduos domésticos. Muita gente já mudou ou está conseguindo aos poucos se habituar a tais alternativas, o que sinaliza, num futuro próximo, alguma mudança quanto ao uso das sacolas plásticas.
No entanto, dois são os aspectos que me inquietam quando essas alternativas surgem como as mais viáveis para a disposição do lixo: será que isso vai impactar, de forma sensível, o meio ambiente? Será razoável atribuir exclusivamente aos consumidores a responsabilidade pela substituição das sacolas plásticas?
O impacto ambiental positivo da redução no uso das sacolas plásticas diz respeito à própria capacidade de transformação biofísica do ambiente: menos sacolas, menos poluição. No entanto, para que haja efeito sensível do ponto de vista material, é preciso que ocorra em taxas significativas, que modifiquem o ritmo produção/regeneração dos resíduos. Isso se conecta diretamente com o modo como agimos, já que, nesses termos, não basta a adesão de uma parcela da população mais preocupada com os problemas ambientais, é preciso que esse comportamento se torne hábito para a maioria das pessoas, o que implica se expandir às práticas cotidianas dos diversos segmentos sociais, dos ricos e dos pobres, dos esclarecidos e dos ignorantes, dos conscientes e dos alienados. Por mais que milhares ou alguns milhões de pessoas ajamos de forma ecologicamente correta, isso não significa que o meio ambiente vai responder a essa mudança, especialmente quando a possibilidade de agir de forma "ecologicamente incorreta" ainda esteja disponível e acessível a quem dela quiser recorrer. Portanto, enquanto houver sacolas plásticas e, especialmente, a preços módicos, o uso/não uso vai depender, em última análise, da escolha daquele que irá consumir.
Nesse sentido, vale lembrar que as sacolas plásticas não foram banidas completamente do mercado, mas apenas a sua "distribuição gratuita", o que possibilita, portanto, que se continue a consumi-las. Se o custo da sacola de plástico, por exemplo, for tal a ponto de valer mais a pena comprá-los dos supermercados do que comprar um saco de lixo oxibiodegradável, dificilmente o argumento ambiental vai conseguir emplacar junto àqueles que não estão dispostos a pagar mais para preservar o meio ambiente.
O uso da caixa de papelão - e o mesmo vale, guardadas as diferenças, para os sacos de papel - é uma alternativa que resolve o problema do transporte das mercadorias dos supermercados para casa, mas não soluciona o uso do saco plástico como lixo, que é uma prática comum no Brasil. É claro que parte do lixo que dispomos no ambiente pode ser descartada em caixas, aumentando a vida útil do papel e com menor impacto ambiental, por se tratar de matéria orgânica. Mas, por outro lado, há certos resíduos que não podemos dispor em caixas porque são líquidos ou perecem rapidamente e, nesse sentido, deve-se lembrar que o lixo das casas brasileiras é constituído em sua maior parte de resíduos orgânicos, ou seja, lixo que se decompõe rapidamente e deixa aquele resto líquido e mal cheiroso, altamente contaminante, o tal chorume.
Os sacos grandes, para reunir todo o lixo da casa num só lugar, também é uma alternativa que apresenta dificuldades de ser implementada porque em certas regiões do País, por conta do calor, o lixo não pode ficar aguardando dias para ser descartado. Além disso, precisam ter resistência para conter muitos quilos de lixo e não ceder quando forem arremessadas nos caminhões de coleta.
Se o problema é, como tem sido tratado nos meios de comunicação e na lei, como um problema ambiental, há outras possibilidades que também tem efeitos positivos para o meio ambiente, como a adoção de sacolas oxibiodegradáveis ou as de papel, a otimização do seu uso com a adoção de empacotadores treinados para acondicionar as compras nas sacolas, a orientação e a sensibilização para que a população utilize sacolas retornáveis ou, na impossibilidade, para que pratique o reuso das sacolas plásticas, cupons de desconto para quem não as utiliza... enfim, não só há inúmeras possibilidades de estimular a redução do uso das sacolas plásticas, mas também várias frentes que precisam ser enfrentadas para que algum resultado significativo possa acontecer, com um custo político e financeiro que nem sempre há interesse em assumir.
A discussão sobre as sacolas plásticas é um bom exemplo do quão extensivas são as ramificações da questão ambiental. Não envolve SÓ a ação dos consumidores, nem depende SÓ da atuação estatal, e muito menos se deve SÓ às práticas comerciais. É tudo tudo isso junto, entrelaçado, num todo, complexo e indissociável, onde causas, consequencias e interesses se misturam e se confundem, para a qual não há SÓ uma resposta, muito menos uma resposta fácil. Então, se é assim, que a polêmica continue!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sacolas plásticas: sobra conversa e falta assunto

Aproveitando o furor da discussão "proibir ou não proibir" sacolas plásticas no Estado de São Paulo, não poderia de deixar de dar um pitaco no asunto, sobre o qual há uma polêmica imensa, mas com muito pouca crítica - diga-se de passagem.
Em primeiro lugar quero esclarecer que, diferentemente do tom que está sendo dado à discussão, ou seja, ser a favor ou contra a distribuição das sacolas plásticas nos supermercados, começo por aí a minha crítica. A questão, me parece, precisa e merece ser tratada de forma mais complexa, precisa ser problematizada na sua origem e não em suas consequências. Para mim, uso de sacolas plásticas é consequencia, portanto, falar em proibição ou permissão só tem sentido como fim, e não começo da discussão. Afinal, o problema ambiental das sacolas plásticas teria nascido do nada e, aí, começaram os problemas ambientais que elas provocam?
Pensando assim, na questão da origem, vamos ver, em primeiro lugar, as coisas nem sempre foram desse jeito: não saberia precisar exatamente quando o uso das sacolas plásticas se tornou regra no comércio, mas tenho lembranças da minha infância dos cartuchos de papel kraft usados nos supermercados para carregar as compras e do pãozinho na padaria envolvido num papel bege fino, parecido com o papel de seda, que acabou se popularizando com o apelido de "papel de pão" (essa expressão não deve nem ter sentido para a garotada de hoje, acostumados com o saco de pão). Ou seja, em algum momento, em algum lugar do passado, as sacolas plásticas não eram tão comuns, mas nem por isso havia impedimento para que as pessoas comprassem e transportassem suas mercadorias para casa.
Em segundo, se as sacolas de papel foram substituídas pelas de plástico, estas o foram porque atendia a algum interesse: talvez o custo menor, a praticidade maior, a possibilidade de reuso, pela necessidade de carregar um volume maior de compras... Enfim, há várias possibilidades que, isoladas ou conjuntamente, influenciaram a adesão maciça de comerciantes e consumidores ao uso da tal sacola plástica, tornando-as parte do dia-a-dia das pessoas.
Em terceiro, podemos observar que as sacolas plásticas acabaram recebendo uma função importante do cotidiano do brasileiro, além do acondicionamento e transporte das compras: a de ser o invólucro dos resíduos domiciliares, ou seja, funcionando como "saco de lixo".
Por tudo isso, fico me perguntando se uma questão que envolve, no mínimo, três importantes aspectos - a mudança cultural, os interesses econômicos envolvidos e a qualidade ambiental - se resolve assim, simplesmente retirando a sua distribuição gratuita. Afinal, de fato, não há uma proibição do uso das sacolas plásticas, mas a proibição da distribuição gratuita das mesmas, de modo que, se você for ao supermercado na volta do trabalho e tiver esquecido sua sacola retornável ou o seu carrinho de feira, não vai deixar de levar a sua compra para casa: ou vai ter de usar a caixa de papelão que o supermercado poderá, de acordo com sua disponibilidade, oferecer gratuitamente ao consumidor, ou terá a opção de comprar a sacola plástica. Mas, de mãos vazias, sem fazer sua comprinha, é que não vai sair...
Aí eu me pergunto: como é que eu vou dispor o lixo na porta da minha casa? Em sacos comprados (sacos que são de plástico também)? O Estado vai proporcionar um serviço de coleta de lixo diferente da que hoje é prestada, que é com coletores que retiram os sacos (de plástico) nas calçadas e jogam no caminhão? Será que isso resolve o problema ambiental que tanto se fala, se, afinal, vamos ter de continuar colocando o lixo no saco plástico? Os supermercados vão nos oferecer desconto nos preços dos produtos, já que o custo das sacolinhas não só vai ser extinto, mas vai se reverter, em outra ponta, em lucro, pois elas serão vendidas a quem delas precisar?
E, ainda: houve algum estudo sobre medidas alternativas, como colocar embaladores nos caixas, para que não haja desperdício das sacolas? Pessoas que, treinadas, poderiam acondicionar maior volume de compras com menor uso de sacolas? Há dados para saber que fim leva a sacola plástica nas residências, qual é o percentual de reuso das mesmas? A impressão que dá é que usamos as sacolas plásticas só para as compras e as jogamos fora como se não tivessem uma utilidade posterior, de modo que, se simplesmente são jogadas fora, não há mal nenhum em eliminá-las do dia-a-dia das pessoas.
A parte mais prejudicial de políticas como essa não é o fato de ser difícil ou caro para se efetivar: é o atentado contra a cidadania, perpetuando um velho e mau hábito autoritário de se fazer política no Brasil: impondo obrigações aos cidadãos de cima para baixo, sem explicar o porquê e sem oferecer nem mesmo os meios para que a finalidade declarada seja alcançada. E depois temos de ouvir que tem leis que "não pegam", como se a lei fosse a responsável por não "pegar"...
Arrisco-me a fazer uma prognose, um tanto negativa, mas que me parece condizente com o cenário: quem vai pagar a conta é o consumidor. De um lado porque, para jogar o seu lixo fora, vai ter de comprar sacos plásticos, seja os que são produzidos para esse fim, seja os do próprio supermercado; de outro porque não acredito que a redução do custo com sacolas não vá se reverter em redução de preços dos produtos aos consumidores. E o meio ambiente também, porque os sacos plásticos continuarão sendo produzidos e lançados na natureza.
Portanto, não sou contra ou a favor da distribuição das sacolinhas. Sou contra o desperdício, o não reuso e, principalmente, a falta de serviço de coleta que me permita não usar as sacolinhas como único meio de me desfazer do lixo em casa. Ou seja, nem a favor, nem contra: apenas pelo uso racional e adequado, e por políticas que apresentem soluções factíveis e plausíveis para o problema do lixo. Será que é pedir demais?

domingo, 15 de janeiro de 2012

Comer para viver ou viver para comer?

Uma das promessas mais comuns no dia 31 de dezembro é emagrecer. Já parou para pensar como – e porquê – tanta gente deseja perder aqueles quilinhos a mais?

Essa é uma perguntinha... “impertigante”? Sim, e é por isso que o assunto vai dar vários posts para este ano: poderíamos pensar, primeiro, por que é que tanta gente quer perder peso, gente que muitas vezes só tem uns pneuzinhos quase imperceptíveis. Também pensar um pouco sobre por que é que se anuncia uma epidemia de obesidade num mundo em que milhões de pessoas não tem três refeições diárias. E ainda refletir um pouco sobre o porquê de alguns povos estarem mudando radicalmente suas dietas, incorporando hábitos alimentares que não tem nada que ver com o clima, as necessidades ou o próprio paladar.... Enfim, há o que falar.

Este post, no entanto, só para começar a aquecer – é o primeiro da série “por que sempre é assim?” –, trata de uma questão que está bem presente no cotidiano das pessoas, até mesmo daquelas que não se importam em ser um pouco “roliças”: a (má) qualidade da nossa alimentação.

Para começar, tomo como premissa um fato: a maioria das pessoas mantém uma alimentação inadequada, especialmente nos grandes centros. Pessoas devorando sanduíches e refrigerantes com pressa; o sorvetinho de sobremesa comprado na esquina do trabalho; uma porçãozinha de fritas para acompanhar o chopp do happy hour; uma barra de chocolate só para desestressar. E, assim, a comida caseira cada vez tem se tornado mais um slogan de restaurante do que, de fato, aquela comida preparada em casa, com ingredientes trazidos da feira, do açougue ou da quitanda, servida na mesa com toda a família reunida.

Refeições fora de casa, preparadas com ingredientes cuja origem e cuidados no preparo desconhecemos, tem se tornado cada vez mais comum. E mesmo na cozinha de casa as práticas tem se modificado sensivelmente, seja pela incorporação de novos ingredientes, in natura ou processados industrialmente, originários de várias partes do mundo, seja na variedade dos já conhecidos congelados, pré-cozidos, enlatados e toda sorte de produtos semi ou totalmente prontos vindos do supermercado.

É certo que sem tantas praticidades, provavelmente não conseguiríamos dar conta de tantas tarefas, na precisão e no tempo que o mundo hoje exige. São tantos os compromissos e obrigações que falta tempo – e muitas vezes disposição e paciência – para cuidar da alimentação. Além do quê, convenhamos, quem gosta de sujar pilhas de colheres e panelas em casa (para depois ter de lavar e guardar tudo) e ficar horas na cozinha? Muito mais prático é sair para comer tudo prontinho na rua, sem sujeira, sem trabalho.

No entanto, ao outorgar a outras pessoas a tarefa de escolher ingredientes, elaborar cardápios, preparar e servir, renunciamos a parte do processo de decisão sobre o que ingerimos. E aí vem a questão: quem é que tem decidido por nós? Qual é o interesse de quem decide? E, principalmente: esse interesse coincide ou diverge dos nossos, enquanto consumidores?

Se pensarmos nos interesses de uma empresa, é evidente que o lucro está no cerne da sua constituição, é sua característica fundamental. Por mais que se afirme que hoje as corporações invistam-se de uma nova visão de negócio, assumindo responsabilidades sociais e ambientais, isso não significa abandonar ou modificar sua natureza capitalista.

Não se quer com isso dizer que as empresas não tem qualquer compromisso com a qualidade do que produz ou dos serviços que presta. No entanto, o fato de ter de equilibrar as expectativas, de um lado, dos consumidores e, de outro, de retorno do negócio, não é difícil entender porque os interesses dos consumidores tendem a ser satisfeitos sempre no limite da relação custo-qualidade. E, assim, seguindo essa lógica, cabe aos consumidores estabelecer escolhas criteriosas, ou seja, conhecer quem é o fornecedor e o que se está comprando, saber bem quais as expectativas que alimenta em relação ao produto ou serviço, saber efetivamente quanto se está pagando por aquilo e, finalmente, pesquisar.

Mas, sabemos, não é isso que acontece conosco. No dia-a-dia, entre tantas opções de consumo e tantas variedades que são oferecidas, nossa capacidade de escolha termina sendo reduzida, seja por falta de tempo, de conhecimento ou mesmo de tempo para ter de analisar tantas informações. Somando isso ao fato de que a publicidade em geral torna este processo mais difícil, na medida em que, sabendo de antemão que sua função é a de ressaltar os prós – o que reduz a visibilidade dos contra – consumir bem seria uma tarefa que só poucos teriam condições de praticar na forma ideal.

Além disso, um aspecto que muitas vezes também não é considerado neste processo é o consumo como lazer. Especialmente nos grandes centros, em que sobram cada vez menos espaços públicos que atendam a essa função, seja pela má conservação, seja pela violência que ocupa cada vez mais as ruas e praças, o shopping muitas vezes é a única opção agradável, prática ou possível para os momentos de relaxamento do cidadão. E shopping, como o próprio nome diz, é para comprar, ainda que comprar se torne sinônimo de diversão, nem que seja só um sorvetinho na casquinha ou lanchinho rápido.

Por isso a política pública precisa intervir. Não para dizer o que devemos ou não consumir, nem para nos “doutrinar” ensinando o que devemos ou não gostar ou querer, mas para, por meio de mecanismos de controle e comando, estimular não só o pensamento crítico e consciente dos consumidores, mas, sobretudo, oferecendo condições para que este pensamento crítico tenha espaço para se expressar. Na teoria é muito bom que todos saibam tudo sobre tudo, tenham acesso uma vasta quantidade de informação mas, na prática, o fato de saber não significa, necessariamente, condições para se orientar conforme esse conhecimento.

Uma boa polítca pública não é a que deixa todos livres, mas que permita que a liberdade não se torne um instrumento para dominação. Num mundo estimulado a “viver para comer” e não “comer para viver”, já é hora de pararmos para pensar um pouco nisso e não ceder à resposta fácil e moralista da gula, da falta de vontade e de caráter, ou que vivemos uma espécie de histeria alimentar coletiva – que só serve para culpar e não para resolver nada. Afinal, se a resposta fácil não resolve, talvez, o problema é que tenha se tornado complexo.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Promessas de final de ano: por que sempre é assim?

Ano vai, ano vem, e a gente, aberta ou secretamente, sempre assume algum tipo de compromisso pessoal: ou é emagrecer, ou é guardar dinheiro, parar de fumar, trabalhar menos, exercitar-se mais, curtir os amigos e a família e por aí vai.

Mas, pulando ondinha, comendo lentilha ou simplesmente parando silenciosamente uns segundinhos antes do pipocar dos fogos, o fato é que, muitas vezes, o balanço em dezembro nem sempre é positivo, o que nos leva, novamente, a renovar votos, a assumir que "este ano vai ser diferente".

As razões disso, cada um as tem, e não cabe aqui ficar especulando sobre a vida íntima alheia, sobre a força de vontade de ninguém. Mas acho que podemos, sim, pensar um pouco sobre as "condições" a que os desejos e os esforços de cada um estão submetidos. Não se trata de achar desculpas, mas de, com consciência e justiça (e menos culpa!), refletir as razões pelas quais é tão difícil cumpri-las. E, mais precisamente, pensar no quanto as condições materiais do meio nos fazem meio Sísifos, rolando a pedra o ano todo para o topo do morro, para vê-la, no 31 de dezembro, rolar abaixo.

Esta é uma série limitada de posts que, é claro, não vão dar conta de todos os temas, mas que se pretendem tratar de assuntos que eu considerei mais recorrentes.

Espero que gostem e que, dia 31 de dezembro de 2012 - caso o mundo continue existindo (rsrsrs) -, a gente possa fazer um balanço positivo.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Link para a dissertação

Como anunciado em post anterior, agora a minha dissertação de mestrado já está publicada na rede e pode ser consultada no link:

http://www.iee.usp.br/biblioteca/producao/2011/Teses/dissertacaoMYB_consumoconsciente.pdf

Comentários, sugestões e críticas serão bem-vindos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Retomada de Consumo & Sustentabilidade

Depois de um ano sem postar uma linha sequer neste blog, ocupada em finalizar o mestrado, aqui estou eu novamente... Um ano é tempo, e deu para amadurecer muitas idéias, ler bastante, ver uma novidade aqui e ali, algumas nem tão novas assim...
E por falar em "novidades nem tão novas", meu trabalho de mestrado justamente procura entender como o consumo surge e se coloca nas discussões e nas ações em prol da sustentabilidade ambiental. Será que o consumo consciente, na forma como tem sido difundido na sociedade, é o caminho para que as mudanças nos padrões de produção e consumo aconteçam, na forma e na intensidade que os problemas ambientais demandam?
Em breve, "A ideologização do consumo consciente: uma análise sobre soberania do consumidor e liberdade de escolha", minha dissertação de mestrado, estará disponível na rede. Quem quiser conferir, aguarde!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia do consumo consciente

Olás!
Escrevi um breve texto no site da Editora Saraiva sobre consumo consciente e gostaria de partilhar com vcs leitores do blog.
Para acessar, clique em: http://www.editorasaraiva.com.br/consumidorconsciente/
Até mais!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Caixa de suco Del Valle agora vale dinheiro

Vamos aproveitar a idéia e pedir mais? Eu já estou enviando o meu e-mail para o Carrefour e a Tetrapak para ampliarem essa iniciativa para novos pontos e para mais produtos. E você, vai mandar também?

Embalagem reciclável vale desconto para o consumidor

Instituto Akatu, Carrefour, Coca-Cola Brasil e Tetra Pak firmam parceria pelo consumo consciente; estratégia prevê R$ 0,30 por embalagem reciclável devolvida

Desde a última segunda-feira (12/4), uma embalagem Tetra Pak de sucos Del Valle garante R$ 0,30 de desconto na compra de outro Del Valle em um supermercado Carrefour. Dez lojas da rede no Estado de São Paulo estão credenciadas para a promoção, uma parceria de Instituto Akatu, Coca-Cola Brasil (fabricante dos sucos), Tetra Pak e Carrefour para estimular a reciclagem de resíduos e o consumo consciente.

Todas as embalagens coletadas serão doadas, beneficiando diretamente cooperativas e gerando renda para catadores.

Além de estimular o engajamento da sociedade no processo de coleta seletiva e reciclagem, o esforço preserva a qualidade das embalagens quando retornam à cadeia produtiva como insumo, diminuindo o impacto ambiental da produção.

"Acreditamos na força da cooperação entre indústria, fornecedores, organizações da sociedade civil e consumidores para alavancar ainda mais os índices de reciclagem no Brasil, que atualmente já ocupa posição de destaque no cenário mundial", afirma Hélio Mattar, presidente do Instituto Akatu.

Segundo Marco Simões, vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil, “o principal objetivo do programa é fomentar um ciclo perfeito de aproveitamento dos resíduos, de maneira que, processados adequadamente, retornem à cadeia produtiva como insumos, protegendo o meio ambiente”.

Para Paulo Pianez, Diretor de Sustentabilidade do Carrefour, "a iniciativa é mais uma importante contribuição para estimular a reciclagem de resíduos sólidos pela população e se soma às diversas ações que a rede já realiza na área, focadas na promoção de um consumo mais consciente e sustentável", avalia.

As lojas Carrefour participantes são Pinheiros, Pamplona, Morumbi, São Vicente, Santos, Santos Praiamar, Cambuci Lion, Campinas D. Pedro, Piracicaba e Campinas Dunlop.


Fonte: www.akatu.org.br

quinta-feira, 11 de março de 2010

Texto de Boaventura de Sousa Santos

Navegando na rede encontrei este texto do filósofo Boaventura de Sousa Santos, sobre as lições de cidadania das cooperativas e dos catadores de lixo. Para nos lembrar de que, quem está de olhos abertos e ouvidos atentos, sempre vai poder tirar uma boa lição de tudo o que está ao nosso redor...

http://contadoresdestorias.wordpress.com/2009/04/02/lixo-e-cidadania-boaventura-sousa-santos/

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

3o. Fórum Internacional Criança e Consumo - 16 a 18 de março de 2010

Além do consumismo infantil

O Fórum Internacional Criança e Consumo chega à terceira edição. Desde 2006, quando o evento foi realizado pela primeira vez, os impactos negativos da mercantilização da infância têm sido discutidos.

Neste ano, o debate propõe uma reflexão mais ampla de como a violação dos direitos da criança e o hiperconsumismo desencadeiam problemas ambientais, econômicos e sociais. Também será contemplada a diminuição das brincadeiras criativas, essenciais ao desenvolvimento humano.

Assim, o 3º Fórum realizará três mesas de debate – Honrar a Infância, Refletir o Consumo e Brincar – com profissionais e pesquisadores de diversas áreas.

Veja mais em http://www.forumcec.org.br/

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Aquecimento global, tabagismo, obesidade, arroto de boi: sobre o que estamos falando afinal?

Apesar de eu não entender muito sobre os números do aquecimento global - por isso não vou me prender tentando verificar se procedem ou não - creio poder fazer uma reflexão sobre outro aspecto dessa questão, mais precisamente sobre a forma como ela tem sido trazida ao debate público: a escolha dos "culpados" pelo efeito estufa.
A moda, um tempo atrás, era dizer que os comilões tinham sua parte no aquecimento global: com peso acima da média, gastariam mais combustível para se transportar e comeriam mais que os outros, afetando a quantidade de alimentos disponível no planeta.
Depois, vieram os fumantes que, como poluidores do ar, colaborariam com o aquecimeto global não só por suas baforadas, mas também porque a produção do tabaco exige a queima de lenha para secagem das folhas e uso de grandes quantidades de defensivo agrícola, impactando também a qualidade do solo.
E agora, coisa de dez dias para cá, o vilão é o boi. Segundo a manchete, o processo digestivo do animal libera gás metano, sendo responsável, só na área do cerrado brasileiro, por quase 70% das suas emissões.
Não estou querendo dizer que não haja uma relação de causa-efeito entre uma coisa e outra, tampouco discutir se o percentual dos gaess por eles liberados está correto ou não. Apenas fico imaginando aqui se, de fato, esses argumentos contribuem positivamente para a conscientização e o envolvimento da população em geral com a crise ambiental. Em tempos de pós-Copenhague, essa reflexão me parece, vem a calhar.
Primeiro, penso que se levarmos o crítério de causalidade ad infinitum, vamos descobrir, para nossa infelicidade, que para o aquecimento global até o meu respirar, o cocô do cachorrinho da minha amiga e as cerejas que você pretende comer na ceia de natal são responsáveis por emissões dos gases de efeito estufa. Pouco, muito, mais ou menos, todos nós, apenas por estarmos aqui, agora, contribuímos com a liberação dos tais gases na atmosfera. A diferença - por isso as tentativas de composição de interesses no âmbito internacional - é que algumas fontes podem ser eliminadas ou reduzidas, o que em tese deve fazer reduzir o ritmo do aquecimento da Terra.
Portanto, se dessa maçã todos nós comemos, parece-me que emitir ou não emitir não é a questão. Então - eis a minha pergunta -, por que escolher os bois, o tabaco e a obesidade? Será que em vez de falar de bois, não poderíamos falar de frangos nas granjas? E, em vez de lembrar do tabaco, poderíamos pensar na soja? Ou, em vez dos gordinhos, pensar no tamanho dos dinamarqueses em relação à dos bolivianos? Afinal, será que estamos realmente falando em aquecimento global ou será outra coisa?
Como não tenho nada contra nem a favor do fumo, do excesso de peso ou da carne de boi, não tenho como não me perguntar porque foram eles os escolhidos e não os outros que acabei de citar. Haverá, de fato, uma problema ambiental significativo relacionado a esses fatores ou não estará o argumento ecológico do aquecimento sendo usurpado para reforçar a defesa de causas outras? Em outras palavras: será que esse alarde que se faz de tempos em tempos com a "descoberta" de mais um novo vilão do aquecimento global não seria, na verdade, uma forma de reavivar o debate de uma questão que já se colocou à sociedade anteriormente? Então, nas hipóteses levantadas, será que o aquecimento global é o foco ou não se está pretendendo discutir, na verdade, os riscos do fumo, da obesidade e dos impactos ambientais associados à pecuária e não o aquecimento global?
Essas indagações não estão sendo aqui lançadas com o intuito de minimizar a importância dessas questões: não há dúvida que os temas merecem ser amplamente discutidos e as soluções e políticas para o seu enfrentamento pensadas e executadas com o apoio da participação de toda a sociedade. Contudo, permito-me conjecturar se trazer ao debate um elemento periférico a tais questões, como é o aquecimento global, possa realmente contribuir para alguma coisa senão para causar apenas um escândalo social momentâneo e provocar a comoção de um ou outro mais impressionável, para logo se esvair na avalanche dos noticiários que renova diariamente a nossa cota de informações, deixando, de resto, apenas a sensação de que quase tudo o que fazemos é causa de aquecimento global - até o momento em que renunciamos a qualquer ação para lutar contra esse "mal", porque esse "mal", há de se concluir, somos nós mesmos, nossa existência, nosso modo de viver, não havendo, portanto, muito o que se fazer...
Portanto, embora eu acredite ser necessário discutir aquecimento global, obesidade, tabagismo, impactos ambientais da pecuária, também sou favorável a discuti-los com argumentos e idéias devidamente ordenadas, colocando cada coisa em seu devido lugar. Os problemas ambientais que vivemos hoje são intrinsecamente complexos e precisam ser enfrentados tomando em consideração esse importante e fundamental aspecto. Simplificar as questões que deles emergem - quando não direcionar ideologicamente essa simplificação - é um risco que se assume, de se banalizar e de diminuir o nível dos debates e, portanto, da própria participação dos cidadãos. Mas esse, sem dúvida, é assunto para outro post...




Para saber mais:

Arroto de boi:
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1410629-5603,00-SO+ARROTO+DE+BOI+EQUIVALE+A+DOS+GASESESTUFA+POR+DESMATE+NO+CERRADO.html

Obesidade:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u402686.shtml

Tabagismo:
http://www.ecodebate.com.br/2009/09/28/fumar-destroi-tambem-o-meio-ambiente/

domingo, 20 de dezembro de 2009

Você sabe o que é simplicidade voluntária?

Já que é tempo de virada de ano e, para muita gente, momento de renovar compromissos, a dica é mais um item a incluir na lista: a simplicidade voluntária.

Será que precisamos de tantos bens para nos sentirmos bem? O que ter tem a ver com ser? Como ser feliz com poucos recursos materiais?


Estas são algumas das perguntas que o movimento "simplicidade voluntária" ("voluntary simplicity" ou, simplesmente, VS) tem procurado responder. A idéia é simplificar a vida, não só no aspecto material, reduzindo o consumo, utilizando os bens de forma mais racional, mas também na dimensão espiritual e emocional, buscando o bem estar e a felicidade interior.
Afora as questões morais que essa assertiva possa implicar, não é nenhuma novidade dizer que ser feliz na sociedade de consumo é, para a maior parte das pessoas, comprar. Trabalha-se dez, doze horas por dia, em fins de semana e feriados, leva-se trabalho para casa. Para quê? Para aumentar o salário, o bônus, as horas extras. E para quê? Para poder acumular, ter reservas, ter a possibilidade de comprar e acessar serviços. E para quê? Para, finalmente, ter uma vida mais tranquila, segura, feliz.
É uma espiral sem fim: ganhar, comprar; ganhar mais, comprar mais. Sempre haverá mais um minutinho da nossa vida que podemos investir no trabalho, como sempre haverá algum item de consumo que não temos em casa para comprar. E o preço que se paga por isso é alto, pois nesse ritmo de vida, o conforto material aumenta, mas em sentido inversamente proporcional vai a disponibilidade de poder usufruir desses benefícios.
A simplicidade voluntária questiona em que ponto essa espiral deve parar. Não prega, portanto, que se despoje completamente dos bens materiais, que se viva ao estilo de Thoureau em Walden*, mas sim que cada pessoa saiba até onde os objetos satisfazem necessidades e desejos genuínos e possa assim se libertar do consumo exagerado. A idéia é que façamos um questionamento sobre o que é de fato importante para o nosso prazer e satisfação pessoal, e se isso realmente corresponde a uma verdade interior ou apenas a resposta a um estímulo externo, que não necessariamente levará ao nosso bem-estar e satisfação pessoal.
Além da forma como nos relacionamos com os bens materiais, a simplicidade voluntária também propõe mudanças em outros aspectos da vida, que, se trabalhados pela via do auto-conhecimento e do fortalecimento da auto-estima, podem se tornar menos desgastantes ou complicados. Assim, ansiedade, estresse, angústia, culpa, entre outros sentimentos enraizados no estilo de vida contemporâneo, também são postos sob questão.

Para saber mais sobre simplicidade voluntária veja:
http://www.simplicidadevoluntaria.com/socied.htm
http://www.choosingvoluntarysimplicity.com/


*"Walden" é o livro escrito pelo americano Henry David Thoureau, baseado na experiência que viveu, em 1845, quando deliberadamente o autor se retirou do convívio social para morar isolado às margens do Lago Walden.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Dica de natal: Amigo secreto sustentável

Quem disse que amigo secreto precisa ter presente novo?

Muitas vezes guardamos coisas em excelente estado no fundo de armários. Coisas que, para nós, já deixaram de ter utilidade ou interesse, mas que para outra pessoa pode ser uma novidade incrível.

Foi seguindo essa idéia que ontem aconteceu, na turma do meu filho de 6 anos, um amigo secreto diferente: um amigo secreto "sustentável". Foi igualzinho ao que conhecemos (troca prévia de papéis com nomes e depois a troca de presentes), mas com o detalhe de que cada criança escolheria um presente para seu amigo secreto do seu baú de brinquedos.

Não estive presente, mas a professora me relatou que a brincadeira foi um sucesso. As crianças adoraram dar e receber os brinquedos dos amigos e partilhar o lanche comunitário, que foi organizado pela professora com a ajuda dos pais.

Para algumas pessoas isso pode parecer estranho, receber algo "usado" e dar algo usado para uma pessoa conhecida - afinal, muita gente se desfaz desses objetos doando a instituições que nem se conhece quem vai receber. Mas, para as crianças, que ainda não estão "contaminadas" por certos preconceitos e hábitos, receber estes presentes foi um acontecimento prazeroso e tão divertido quanto se tivessem ganho algo vindo diretamente do shopping.

Inicialmente a intenção era de abrir um espaço com as crianças para que fizessem uma reflexão sobre o consumismo, sobre as questõs ambientais e sociais que estão por trás dessas trocas materiais. Contudo, pensando melhor agora, creio que a lição não foi só para as crianças, mas para nós adultos, também. Afinal, nós somos responsáveis por formar esta futura geração, então, como esperar que nossos pequenos possam ter outros hábito se nós mesmos não damos o exemplo?

A semente foi lançada, cabe a nós regar daqui em diante. Então, se há algum compromisso para se assumir para 2010, o meu será o de trocar mais. E qual vai ser o seu?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Lixo é no lixo. Mas, em que lixo?

Até hoje ainda se entoa o bordão: "lixo é no lixo". Mas, atualmente, com os problemas de esgotamento de aterros, onde vamos por o lixo que foi para o lixo? Vejam texto interessante de Lester Brown, sobre o lixo de Nova Iorque. Apesar de não ser São Paulo, não podemos esquecer que, essencialmente, o problema é o mesmo:

http://www.worldwatch.org.br/artigos/001.html